10 Setembro 2009

deja-vu


Tudo à minha volta estava tão frio, tão cru. Já nada tinha cor e textura, já nada tinha essência, sentido e logica. O meu deja-vu tinha dado certo, não foi sonho. Os ramos das arvores estavam estáticos e carregados de neve, como o peso da minha consciencia. Sente-se um bocadinho do cheiro a lenha queimada que sai das chaminés e castanhas assadas que os vendedores tentam vender com muitas dificuldades, nos seus carros de mão.
Permaneci no meio do grande jardim cheio de neve, sozinha, de pé, de mãos nos bolsos, tentando aquecer-me ao máximo no meu casaco vermelho de grandes botões, esse que tanto gostas, surda e muda, à tua espera. Sabe-me a vento, sabe-me a terça-feira de céu enublado triste, sabe-me a presenças invisiveis, sabe-me a maus pressentimentos. Hoje é dia 23 de Dezembro, não sinto que amanhã seja Natal, tudo o que me rodeia é tão feio e selvagem que só me apetece estalar os dedos e fugir, as pessoas correm loucas e atarefadas de um lado para o outro de grandes sacos e embrulhos na mão, como se isso fosse muito urgente. Por favor, não estou pra espiritos natalicios, não estou pra festas, postais de Natal anuais, nem consumismos. É ridicula esta época, este ano é ridicula! Não sinto nada! Apenas sinto que este Natal já nao estarás ao pé de mim no sofá, agarrados, partilhando carinhos e Marshmallows acompanhados com chocolate quente, e amando em frente à lareira.
Continuei a esperar por ti, nunca foste bom com horários. Pensei em chorar, mas o frio congelava-me as vontades. Pensei chamar por ti, pensei ligar-te, mas nesse momento apareceste, foi como se fosse telepatia. Frente-a-frente, ficámos a olhar um para o outro, minutos... sem pronunciar uma palavra. Dei por mim a pensar no primeiro beijo e nas noites de amor que passámos. Distancias-te, desligaste de mim aos poucos, estavas perdido e os teus lábios foram tocar noutra maldita boca. Eu sabia-o, nojo foi o que senti, mas continuava a amar-te. Queria bater-te, mas queria beijar-te, é um tipico amor-ódio. O silêncio estava a dar cabo de mim. Começaste a chorar e quis abraçar-te, tocar nos teus cabelos e limpar-te as lágrimas, mas continuei no meu lugar, forte, poderosa e fria.
"Desculpa", beijaste-me uma ultima vez e foste embora. A tua imagem ao longe ia desvanecendo como nevoeiro. O nosso amor sempre fora especial. Quis dizer-te mais uma vez amo-te, mas deixei-te ir. Senti um camião passar por cima de mim, senti o pior espirito natalicio, senti-me como se sem alma.



(Estava inspirada, apeteceu-me)

04 Julho 2009





Acordei com um sorriso na cara, passo a mão do lado da cama onde tu dormiste, ainda está quente, aprecio esses pequenos toques, enquanto tu te vestes para o emprego. Toques esses, doces e suaves como os teus lábios. Passas a mão nos meus cabelos, beijas-me, segredas um forte amo-te e vais para a tua rotina. Arrepias-me! Só os lençóis conhecem o sabor da nossa pele, a tua fragância, a minha, o cheiro dos charutos caros que te ofereceram ontem à noite no baile. Cheiro o teu casaco, abraço-o, acaricio-o, danço com ele... a paixão traz destas coisas malucas aos humanos. Esse cheiro, tenro, irresistível, o perfume que te ofereci no dia dos namorados. O meu coração esboça sorrisos de orelha a orelha, ligo o gira-discos e ponho um romântico e sensual de Gabrielle. Visto-me, hoje demorei a escolher o que vestir, escolhi aquele simples, azul marinho, que vesti no nosso primeiro encontro. Penteei-me, mimei os meu caracóis distraidamente....(contigo no meu pensamento) pus rimel, vesti o casaco branco dos botões pretos, grandes, brilhantes e profundos como os teus olhos, e fui para o meu atelier.

A nossa História é mais do que escrevo, sentimentalmente, no meu imaginário. A nossa Historia vai mais para além dos 5 sentidos e de cada pormenor. É nossa, é verdadeira.
Amo-te tanto.

Foto do meu (nosso) baile de finalistas.

22 Maio 2009



-DIZ QUE ME AMAS.
-AMO-TE.
-MUITO?
-MUITO MUITO AMOR
-MESMO?
-AMO-TE MAIS QUE ONTEM!

22 Novembro 2008

O Farol




óleo sobre tela - 42 x 29,7 cm

14 Novembro 2008

Telas





Telas feitas por mim.
O Cisne - óleo sobre tela - 42 x 29,7 cm
Texas ao entardecer - óleo sobre tela - 48 x 33 cm

Vendo telas executadas a óleo (também por encomendas) a bom preço.
Deixo aqui o meu contacto para quem estiver interessado:
vanessa_sofia1990@hotmail.com
917006705

31 Outubro 2008

História




Entra, despe o casaso, senta-te nessa cadeira, aceita um café com leite, olha-me nos olhos, não chores mais, eu já percebi que foi mais um dos teus desgostos amorosos. Deixa-te de ilusões, deixa-te de histórias da treta e preocupaçoes da vida. Estás comigo, não está mais ninguém aqui, as naturezas mortas de tons frios e tristes, dos frutos já maduros e do girassol murcho, são apenas cenário nesta casa, não queiras que a tua vida fique assim, como uma natureza-morta de frutos e flores apodrecidas de angústias. Não te condenes a ler livros de histórias de amores que nascem num supermercado e noites de sexo passadas numa suíte de um hotel de Paris. É uma ilusão. És a pessoa com os olhos mais lindos que já vi, com um cheiro de pele que já alguma vez senti, com os cabelos mais irreais que já toquei. Não precisas dos melhores perfumes, dos melhores casacos nem dos melhores sapatos para chocares com um carrinho de compras e apaixonares-te à primeira vista. O amor é um lugar estranho, é. Mas não tem hora marcada nem lugar marcado numa casa de chá. Acontece.

12 Setembro 2008




Amo-te mais que ontem.